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todas as pessoas deveriam falar muito. E de preferência com a boca bem aberta, de modo a facilitar o entendimento da fala e palavras. Articulando. Gesticulando. Com expressões faciais acompanhando o ritmo da conversa. Pronúncias focadas e aquela vontade tremenda de contar. De falar. De fazer o outro se sentir interessado. Sabe, me dou muito melhor com essas pessoas, que dá gosto de ver os gestos e ouvir a voz. Dá a entender que a pessoa não tem medo. Não tem medo do que vão dizer, ou do que vão discordar: ela estará sempre pronta para te devolver uma resposta. E claro, bem elaborada. Diante de pessoas tão cheias de luz e esse desejo da vida - de aparecer, de conhecer, de desfrutar - me pergunto o que há nas cordas vocais de alguns: você fala “oi” com a pessoa e a resposta dela parece um bocejo. Você conversa com ela, e parece que esta está vigiando sempre alguém chegar, falando rápido e baixo. Ou não fala, te deixa ali, contando, e quando você acaba, espera uma resposta que nunca virá. Apenas um olhar, te encarando, perguntando se já acabou. Com pressa, viajante, não está no mesmo mundo. E quando ri, ri sem jeito, desengonçado. Há lá suas vantagens e formas de admiração nessas pessoas. Mas eu, eu não. Eu gosto de gente que ri alto e faz todo mundo se perguntar do que é que estão rindo. Mas ri alto naturalmente, não um estrondo, apenas porque ri assim. É o jeito que as pessoas mais interessantes têm de encarar as coisas, sem perceber: o seu jeito é composto por milhares e milhares de artefatos que conseguem esconder todas as suas aflições e angústias.
Lívia Moraes

Eles não sabem
Eles não sentem
É por isso é que pegam no pé da gente
É de arrancar os cabelos
e demais pêlos
a intromissão descarada dessa gente
Gente vazia, descompromissada
Olham diferente e acham que já fiquei abalada
Mal sabem que mal olhado não põe minha mesa
Descaramento não me consome
Eles não sabem o que mata a minha fome
Eles não sentem o que a gente sente
Eles não sabem que o que a gente sente não é tristeza
Eles não sentem a beleza
Que é ter alguém sem pedir a ninguém
ter alguém porque o sorriso simplesmente combinou
o riso simplesmente ficou mais alto
o abraço se encaixou,
e nos fechou
Nos fechou do mundo
Fechou nossos ouvidos
Pois aprendi que um amor é maior
do que qualquer grito
Lívia Moraes
O caminho mais longo geralmente é o mais aconselhado
por mim, que já vi tanta coisa despencar do telhado
Quando não há pressa,
há tempo
Tempo pra pensar, analisar
O concorrido há de diminuir
A dúvida há de finalizar
O caminho mais curto me dá mais medo
Nesse eu não ponho nem o dedo
Imagina fazer o hoje sem consciência do amanhã
Quem irá negar que o arrependimento não virá?
Quem faz rápido,
nunca faz bem feito
Por isso quero ensinar-lhe esse outro jeito
Não saboreie a laranja antes de descascá-la
muitas vezes pode ser a laranja errada
Lívia Moraes

Deus não me deu dom
me ofertou vontade
de colorir o tom
com poesias de saudade
Hoje tenho a oportunidade
de criar vidas e contar parte da minha
em um papel com palavras sem seguir alguma linha
fora da lei
fora do normal
Quero escrever sem que haja algum igual
os caminhos que criei
inventar coisas que não sei
dizer mais de meia dúzia de palavras
para alguém que quiser ler
o meu jeito é tão fácil de entender…
Lívia Moraes